Entender a formação e a dinâmica do relevo brasileiro é indispensável para garantir uma excelente pontuação nas questões de Geografia do Enem, Fuvest, Unicamp e dos principais vestibulares do país.
Embora as bancas nem sempre apresentem perguntas isoladas sobre a altimetria do Brasil, o tema é o pilar fundamental para compreender tópicos essenciais como rede hidrográfica, biomas, ocupação do solo, problemas ambientais urbanos e expansão da agropecuária.
Neste guia completo, você vai aprender o que é relevo terrestre, como atuam os agentes endógenos e exógenos, a estrutura geológica do país e o detalhamento da classificação de Jurandyr Ross, a mais cobrada nas provas modernas.
O que é relevo terrestre?
O relevo terrestre representa o conjunto das variadas formas que a superfície da Crosta Terrestre (ou litosfera) apresenta. É o resultado contínuo da interação entre duas forças opostas:
- Agentes endógenos (internos): responsáveis por criar e elevar o relevo.
- Agentes exógenos (externos): responsáveis por desgastar, esculpir e depositar materiais na superfície.
Enquanto a Geomorfologia é a ciência que estuda as formas de relevo e seus processos modeladores, a Pedologia se dedica ao estudo da formação e composição dos solos. Fique atento para não confundir esses conceitos na hora da prova!
Dica para o Enem: o território brasileiro está localizado no centro da Placa Sul-Americana. Por isso, o relevo do Brasil é tectonicamente estável, muito antigo e intensamente modelado por intemperismo e erosão. No Brasil, não existem dobramentos modernos (como os Andes, os Alpes ou o Himalaia).
Agentes modeladores do relevo: forças endógenas e exógenas
As questões de vestibulares frequentemente testam a capacidade do candidato de diferenciar a origem (interna) do desgaste (externo) da paisagem.
Agentes endógenos (Forças internas)
Atuam de dentro para fora da Terra, gerados pela dinâmica do manto terrestre e pela tectônica de placas:
Tectonismo (Diastrofismo): movimentação das placas tectônicas impulsionada pelas correntes de convecção do manto. Divide-se em:
- Orogênese: movimentos horizontais intensos e rápidos que dobram ou falham as rochas, originando grandes cadeias montanhosas.
- Epirogênese: movimentos verticais lentos de erguimento ou rebaixamento de vastas áreas continentais.
Vulcanismo: extrusão do magma do manto para a superfície. No Brasil, não existe vulcanismo ativo no Período Quaternário. Contudo, no passado geológico (Era Mesozoica), intensos derrames basálticos deram origem à Bacia do Paraná e aos solos férteis conhecidos popularmente como terra roxa (nitossolos).
Sismos (Terremotos): liberação súbita de energia acumulada no subsolo devido ao atrito de placas ou falhas geológicas locais, propagando-se em formato de ondas sísmicas.
Agentes exógenos (Forças externas)
Atuam na interface entre a atmosfera, a hidrosfera e a litosfera, esculpindo as formas erguidas pelos agentes internos:
Intemperismo (Decomposição e Desagregação das Rochas):
- Físico/Mecânico: fragmentação da rocha sem alterar sua composição química, provocada principalmente pela variação térmica diária (dilatação e contração).
- Químico: alteração da composição mineralógica das rochas pela ação solvente ou reativa da água. É o tipo predominante no clima tropical úmido do Brasil.
- Biológico: desintegração impulsionada pela ação de raízes de plantas, escavações de animais e ação de microrganismos.
Erosão (Desgaste, Transporte e Deposição):
- Fluvial: Ação de desgaste e transporte realizada pelas águas dos rios.
- Pluvial: Ação das águas das chuvas (pode gerar processos graves de degradação como ravinas e voçorocas).
- Marinha: Desgaste do litoral pela força das ondas (formando escarpas costeiras e falésias).
- Eólica: Ação modeladora do vento, marcante em ambientes áridos e semiáridos.
Estrutura geológica: a base do relevo brasileiro
A estrutura geológica refere-se à natureza e à idade das rochas do subsolo. De acordo com os dados oficiais do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), a estrutura geológica do Brasil divide-se em duas grandes categorias:
| Estrutura Geológica | Proporção no Brasil | Eras Geológicas Principais | Recursos Minerais Associados |
| Bacias Sedimentares | ~64% do território | Paleozoica, Mesozoica e Cenozoica | Combustíveis fósseis (petróleo, gás, carvão) e aquíferos. |
| Escudos Cristalinos (Embasamento Antigo) | ~36% do território | Arqueozoica e Proterozoica | Minerais metálicos (ferro, manganês, bauxita, ouro) |
Nota importante: O Brasil não possui áreas de dobramentos modernos (formações da Era Cenozoica/Terciário), pois todo o seu arcabouço rochoso foi estabilizado em eras geológicas muito antigas.
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A evolução das classificações do relevo brasileiro
Ao longo do século XX, a Geografia brasileira aprimorou a divisão do relevo nacional à medida que novas tecnologias de mapeamento foram introduzidas:
| Autor / Ano | Critério Principal | Unidades de Relevo | Principais Características |
| Aroldo de Azevedo (1949) | Altimétrico | 8 unidades (4 Planaltos e 4 Planícies) | Planaltos > 200m e Planícies < 200m |
| Aziz Ab’Sáber (1962) | Morfoclimático e Genético | 10 unidades (7 Planaltos e 3 Planícies) | Planalto (Erosão > Sedimentação); Planície (Sedimentação > Erosão) |
| Jurandyr Ross (1995) | Morfoclima, Estrutura e Hipsometria | 28 unidades (11 Planaltos, 11 Depressões, 6 Planícies) | Utilizou imagens do Projeto RADAMBRASIL e introduziu as Depressões |
As macroformas do relevo na classificação de Jurandyr Ross
A classificação de Jurandyr Ross agrupa o relevo em três grandes macroformas: Planaltos (11 unidades), Depressões (11 unidades) e Planícies (6 unidades).
| Macroforma | Processo Predominante | Característica Altimétrica | Exemplos no Brasil |
| Planaltos (11 unidades) | Erosão > Sedimentação | Irregular, com morros, serras e chapadas (> 200m) | Planalto Central, Planaltos e Serras do Atlântico Leste-Sudeste |
| Depressões (11 unidades) | Rebaixamento por erosão contínua | Terrenos suavemente inclinados, rebaixados em relação ao entorno | Depressão Sertaneja e do São Francisco, Depressão Periférica Sul-Rio-Grandense |
| Planícies (6 unidades) | Sedimentação > Erosão | Superfícies planas constituídas por sedimentos recentes (Cenozoico) | Planície do Pantanal, Planície do Rio Amazonas, Planície Litorânea |
Detalhes das Macroformas:
Planaltos: superfícies de relevo irregular em que os processos de erosão superam os processos de sedimentação. Apresentam altitudes variadas e bordas marcadas por declives, serras e escarpas.
Ponto culminante do Brasil: o Pico da Neblina (2.995,3 metros de altitude, conforme medição do IBGE por satélite), situado na Serra do Imeri (AM), localiza-se na unidade dos Planaltos do Guiana Meridional.
Depressões: áreas rebaixadas resultantes de intensos e longos processos erosivos ocorridos nas bordas das bacias sedimentares ou no contato com os escudos cristalinos.
Depressão Relativa: área rebaixada em relação aos terrenos ao seu redor, mas situada acima do nível do mar. Todas as depressões brasileiras são relativas.
Depressão Absoluta: área situada abaixo do nível do mar (exemplo: Mar Morto). Não existem depressões absolutas no Brasil.
Planícies: superfícies predominantemente planas formadas pelo acúmulo e deposição de sedimentos recentes (período Quaternário da Era Cenozoica) trazidos pela água de rios, mares ou lagos. Ocupam menos de 10% do território nacional.
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FAQ – Perguntas frequentes sobre Relevo Brasileiro no Enem e Vestibulares
1. O Brasil tem montanhas segundo a Geografia?
Não, o Brasil não possui cadeias de montanhas sob a perspectiva geomorfológica moderna. O território brasileiro não apresenta dobramentos modernos (formações geológicas recentes como os Andes ou os Alpes). As formações elevadas do país são classificadas como planaltos, serras, chapadas e picos, resultantes de estruturas antigas desgastadas por processos erosivos ao longo de milhões de anos.
2. Quem foi o responsável pela classificação mais recente do relevo brasileiro?
A classificação mais recente e utilizada nos exames é a do geógrafo Jurandyr Ross (1995). Baseada nos dados do Projeto Radambrasil (imagens de radar), essa divisão mapeou o território nacional em 28 unidades, organizadas em três grandes macroformas: 11 Planaltos, 11 Depressões e 6 Planícies.
3. Qual é a diferença entre planalto e planície no vestibular?
A diferença principal entre planalto e planície é o processo geológico predominante:
- Planalto: ocorre mais erosão (desgaste) do que sedimentação. São superfícies irregulares e geralmente elevadas (acima de 200m).
- Planície: ocorre mais sedimentação (acúmulo de matéria) do que erosão. São superfícies planas formadas por sedimentos recentes trazidos por rios, mares ou lagos.
4. Quais são os principais agentes exógenos que modelam o relevo do Brasil?
Os principais agentes exógenos (externos) no Brasil são o intemperismo químico e a erosão pluvial/fluvial. Como o país possui predominantemente climas tropicais úmidos, a ação da água da chuva e dos rios desagrega os minerais das rochas e transporta sedimentos, aplainando e rebaixando as altitudes do relevo.
5. O que é uma depressão relativa e por que todas no Brasil são desse tipo?
Uma depressão relativa é uma região rebaixada pela erosão em relação aos terrenos ao seu redor (planaltos), mas que ainda está acima do nível do mar. Todas as 11 depressões brasileiras catalogadas por Jurandyr Ross são relativas, pois o Brasil não possui depressões absolutas (áreas continentais localizadas abaixo do nível do mar, como o Mar Morto).
6. Existem vulcões ativos ou terremotos fortes no Brasil?
Não existem vulcões ativos nem abalos sísmicos de grande magnitude no Brasil atual. O país está localizado no centro da Placa Tectônica Sul-Americana, uma zona tectonicamente estável. Os tremores registrados são leves e causados por acomodações de falhas locais. O vulcanismo no Brasil ocorreu apenas no passado geológico, sendo responsável por formar as rochas basálticas e o solo de terra roxa.



