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Quais são as funções da linguagem?

As funções da linguagem são categorias fundamentais nos estudos de comunicação e expressão. No Enem e nos principais vestibulares, este é um dos temas mais recorrentes na prova de Linguagens, Códigos e suas Tecnologias, pois está diretamente ligado à nossa capacidade de interpretação de texto.

Todo ato comunicativo tem um objetivo. Para entender como esses objetivos se dividem, precisamos primeiro compreender os elementos que constroem a comunicação.

Os 6 Elementos da Comunicação

De acordo com o linguista Roman Jakobson, a comunicação humana é composta por seis elementos essenciais. Cada um deles desempenha um papel na transmissão de uma mensagem:

  • Emissor: Quem fala ou escreve, aquele que transmite a mensagem.
  • Receptor: Quem ouve ou lê, o destinatário da mensagem.
  • Contexto (ou Referente): A situação, o assunto ou a realidade factual à qual o texto se refere.
  • Código: O sistema de signos utilizado (a língua portuguesa, a linguagem de libras, sinais, etc.).
  • Mensagem: O conteúdo em si que está sendo veiculado.
  • Canal: O meio físico ou virtual por onde a mensagem circula (ar, papel, tela do celular, telefone).

As 6 Funções da Linguagem e Exemplos

Cada função da linguagem nasce quando o discurso coloca foco em um desses seis elementos descritos acima. Veja em detalhes como funciona cada uma:

1. Função Emotiva (ou Expressiva)

  • Foco no: Emissor.
  • Objetivo: Transmitir as emoções, sentimentos e a subjetividade de quem fala. É marcada pelo uso de verbos e pronomes em 1ª pessoa, além de pontos de exclamação.

Exemplo: “Eu não suporto mais! Todo dia aparece um problema e toda semana fico ocupado com os outros! Eu preciso de mais tempo para mim!”

Nesse desabafo, os verbos em primeira pessoa evidenciam o estado psicológico do emissor. Vale lembrar que a função emotiva costuma aparecer frequentemente associada à função poética em poemas e músicas.

2. Função Poética

  • Foco na: Mensagem.
  • Objetivo: Priorizar a estética do texto, a escolha das palavras, o ritmo e a sonoridade. Muito comum na literatura, na publicidade e nas letras de música.

Exemplo:

“Ando muito completo de vazios.

Meu órgão de morrer me predomina.

Estou sem eternidades.” (Manoel de Barros)

Em sentido literal, ninguém fica “completo de vazios”. A construção simbólica e metafórica cria um impacto estético que potencializa a mensagem, tornando-a artística.

3. Função Referencial (ou Denotativa)

  • Foco no: Contexto (ou Referente).
  • Objetivo: Informar de forma direta, clara e objetiva sobre a realidade material. Utiliza a linguagem denotativa (sentido do dicionário) e a 3ª pessoa. É a função soberana em reportagens, artigos científicos e livros didáticos.

Exemplo: “Fruto típico de climas temperados como o do Chile, o morango (Fragaria spp), é pequenino, vermelho brilhante, de aroma agradável e sabor levemente ácido. Bastante versátil, é usado para preparar smoothies, sucos e bolos.”

Aqui não há julgamento de valor ou emoção, o foco é puramente transmitir fatos reais e científicos sobre o fruto.

4. Função Fática (ou de Contato)

  • Foco no: Canal.
  • Objetivo: Testar, iniciar, prolongar ou interromper o canal de comunicação para garantir que a mensagem está chegando ao receptor.

Exemplo: “— Não acredito que algo assim possa ser verdade! Sim, estou ouvindo.”

Expressões como “Alô?”, “Oi?”, “Entendeu?” ou o “Sim, estou ouvindo” do exemplo servem unicamente para checar se a conexão física ou virtual está funcionando.

5. Função Metalinguística

  • Foco no: Código.
  • Objetivo: Usar o próprio código para explicar o código. Em outras palavras: o texto que fala do texto, a música que fala sobre compor uma música, ou o dicionário que explica as palavras usando palavras.

Exemplo: “Poesia”, de Carlos Drummond de Andrade

“Gastei uma hora pensando um verso

que a pena não quer escrever.

No entanto ele está cá dentro

inquieto, vivo.”

Neste trecho, o eu lírico constrói um poema cujo tema central é, justamente, a dificuldade e o ato de se escrever um poema.

6. Função Conativa (ou Apelativa)

  • Foco no: Receptor.
  • Objetivo: Influenciar, persuadir, convencer ou dar ordens ao destinatário. É a marca registrada dos discursos políticos, livros de autoajuda e, claro, da publicidade. Caracteriza-se pelo uso de verbos no imperativo.

Exemplo: “Compre agora e só comece a pagar daqui a 60 dias!”

Os verbos no imperativo (“compre”, “pague”) são estrategicamente usados para induzir o leitor a tomar uma ação imediata.

 

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Tabela Resumo: Funções da Linguagem

Para não errar mais na hora da prova, salve esta tabela comparativa com o resumo de cada função:

Função da LinguagemElemento em FocoPrincipal ObjetivoOnde é mais comum?
EmotivaEmissorExpressar sentimentos e opiniõesDiários, cartas, blogs pessoais
PoéticaMensagemEstética, ritmo e sonoridadePoemas, músicas, slogans
ReferencialContextoInformar com objetividade e fatosNotícias, artigos científicos
FáticaCanalTestar e manter o canal abertoSaudações, “Alô”, interjeições
MetalinguísticaCódigoExplicar o próprio código utilizadoDicionários, poemas sobre poesia
ConativaReceptorPersuadir, convencer ou ordenarAnúncios publicitários, discursos

Em qualquer análise de texto para o vestibular, lembre-se: um único texto pode apresentar várias funções misturadas. O seu papel nas questões é identificar qual delas predomina no discurso.

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Perguntas Frequentes (FAQ) – Funções da Linguagem

1. Qual é a função da linguagem que predomina nos textos jornalísticos?

A função da linguagem que predomina nos textos jornalísticos é a Função Referencial (ou Denotativa). Isso ocorre porque o principal objetivo do jornalismo é informar o leitor sobre fatos e a realidade de forma clara, direta e objetiva, priorizando a terceira pessoa e evitando opiniões ou marcas de subjetividade.

2. Qual a diferença entre a função emotiva e a função poética?

A diferença está no foco do texto: a função emotiva foca no emissor (expressando sentimentos, opiniões e o “eu” de quem fala), enquanto a função poética foca na mensagem (preocupando-se com a estética, a escolha das palavras, o ritmo, a sonoridade e as metáforas). Embora apareçam frequentemente juntas em poemas, elas possuem objetivos comunicativos distintos.

3. Como identificar a função conativa em uma questão do Enem?

Para identificar a função conativa (ou apelativa) no Enem, procure por textos que tentam convencer, persuadir ou dar ordens ao leitor. As principais pistas textuais são o uso de verbos no imperativo (como “faça”, “compre”, “mude”), pronomes de tratamento direcionados ao interlocutor (“você”) e a presença marcante em anúncios publicitários ou discursos políticos.

4. O que é metalinguagem e qual o seu principal elemento?

A metalinguagem (ou função metalinguística) acontece quando o código é utilizado para explicar o próprio código. O seu elemento de comunicação principal é o Código. Exemplos práticos incluem um filme que mostra os bastidores de como fazer um filme, uma música que fala sobre o processo de composição musical ou o próprio dicionário, que usa palavras para explicar palavras.

5. Um texto pode apresentar mais de uma função da linguagem ao mesmo tempo?

Sim, é perfeitamente comum que um único texto apresente várias funções da linguagem misturadas. No entanto, para as provas de vestibular e o Enem, o estudante deve sempre identificar qual é a função predominante, ou seja, aquela que melhor traduz o objetivo principal do autor com aquela comunicação.

6. Por que o assunto Funções da Linguagem cai tanto no Enem?

Este assunto é cobrado com frequência porque está diretamente ligado à competência de interpretação de texto e análise de discurso. O Enem não quer apenas que o aluno decore nomenclaturas, mas sim que ele consiga ler um anúncio, um poema ou uma notícia e compreender qual era a intenção comunicativa do autor ao escolher aquelas palavras.



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