Em 1985, o Brasil encerrou um longo período de ditadura militar e iniciou um complexo processo de redemocratização. Foi nesse cenário de mudança que começou a história da Constituição de 1988, um documento que se tornou o maior símbolo da liberdade e do fim do autoritarismo no país.
Para quem está se preparando para o Enem e os vestibulares, entender esse conteúdo é obrigatório. Afinal, ele não cai apenas nas questões de História e Sociologia, mas é também um repertório sociocultural coringa para a Redação.
Continue lendo para dominar os detalhes desse importante passo para o fortalecimento da democracia brasileira.
Como estava o Brasil antes da Constituição de 1988?
Para entender a importância desse documento, precisamos olhar para o retrovisor. A ditadura militar teve início em 1964 e foi um período marcado pelo autoritarismo, censura e cerceamento de direitos civis.
No entanto, no final da década de 1970 e início da década de 1980, o regime começou a perder força. Fatores como a crise econômica, o fim do “milagre econômico” e a pressão popular foram decisivos para isso.
Uma parcela significativa da população clamava pelas eleições diretas. O povo queria votar para escolher o Presidente da República, algo que não acontecia há décadas. Esse desejo explodiu no movimento conhecido como Diretas Já! em 1984, que mobilizou milhões de pessoas nas ruas exigindo a aprovação da Emenda Dante de Oliveira.
Infelizmente, a emenda não passou na época e a eleição de 1985 foi indireta. Tancredo Neves foi eleito pelo Colégio Eleitoral, mas faleceu antes de assumir, deixando o cargo para seu vice, José Sarney. Foi no governo Sarney que a promessa de uma nova legislação começou a sair do papel.
História da Constituição de 1988: entenda como foi criada
A Constituição é a lei maior de um país. Nela estão contidos os direitos e deveres dos cidadãos, das instituições e daqueles que ocupam cargos políticos. Diferente das anteriores, a nossa atual Carta Magna não foi imposta de cima para baixo. Ela foi construída de forma democrática.
Em 1º de fevereiro de 1987, foi instalada a Assembleia Nacional Constituinte. Ao todo, 559 congressistas (deputados e senadores) trabalharam durante 20 meses para redigir o texto.
Um fato curioso é que nenhum trecho das Constituições anteriores foi aproveitado. O texto aprovado em 1988 foi escrito do zero, rompendo totalmente com a Constituição de 1967.
Além disso, houve uma participação popular inédita. A população enviou mais de 120 emendas populares, somando cerca de 12 milhões de assinaturas pedindo melhorias na educação, saúde e direitos trabalhistas.
No dia 5 de outubro de 1988, o deputado Ulysses Guimarães, presidente da Assembleia, promulgou o documento com um discurso histórico, chamando-o de Constituição Cidadã. Ele destacou que a nação queria mudar e que a cidadania seria finalmente valorizada.
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Por que ela é chamada de Constituição Cidadã?
Esse apelido não é por acaso. A Constituição de 1988 ampliou significativamente os direitos civis e sociais. Ela criminalizou o racismo, garantiu a liberdade de expressão, proibiu a tortura e instituiu direitos fundamentais que antes eram negligenciados.
Confira algumas inovações que costumam cair no vestibular:
- Voto facultativo para jovens: garantiu o direito de voto aos 16 e 17 anos.
- Direitos Trabalhistas: consolidou o 13º salário, férias remuneradas, licença-maternidade de 120 dias e reduziu a jornada semanal para 44 horas.
- Saúde Universal: criou as bases para o Sistema Único de Saúde (SUS), definindo a saúde como um direito de todos e dever do Estado.
- Direitos Indígenas: reconheceu a organização social, costumes e direitos originários sobre as terras que tradicionalmente ocupam.
Resumo da estrutura da Constituição de 1988
O texto final ficou extenso, com 250 artigos divididos em nove títulos. Essa estrutura detalhada reflete a ânsia da sociedade em garantir que nada ficasse de fora após anos de silêncio. Veja a seguir um resumo do que cada parte aborda.
Título I – Princípios Fundamentais
Estabelece que o Brasil é uma República Federativa. Cita que todo poder emana do povo e lista os fundamentos como a soberania, a cidadania, a dignidade da pessoa humana e o pluralismo político.
Título II – Direitos e Garantias Fundamentais
Aqui está o famoso Artigo 5º, que você deve ler com atenção. Ele trata dos direitos à vida, à liberdade, à igualdade e à segurança. Aborda também os direitos sociais e a nacionalidade.
Título III – Organização do Estado
Define como o país é organizado politica e administrativamente, dividindo responsabilidades entre a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios.
Título IV – Organização dos Poderes
Explica o papel e as atribuições dos três poderes independentes e harmônicos entre si: Legislativo (quem cria as leis), Executivo (quem administra) e Judiciário (quem julga). Também define como funcionam as emendas constitucionais.
Título V – Defesa do Estado e das Instituições
Trata da segurança pública e das Forças Armadas, garantindo a proteção do território e da ordem democrática. Regula situações de exceção, como o estado de defesa e o estado de sítio.
Título VI – Tributação e Orçamento
Define o sistema tributário nacional. Ou seja, explica como o governo pode cobrar impostos e como deve organizar o orçamento público para gastar esse dinheiro.
Título VII – Ordem Econômica e Financeira
Estabelece as regras para a atividade econômica, baseada na valorização do trabalho humano e na livre iniciativa, buscando assegurar a todos uma existência digna.
Título VIII – Ordem Social
É um dos títulos mais importantes para a cidadania. Aborda temas essenciais como seguridade social, educação, cultura, meio ambiente, família, criança, adolescente e idoso.
Título IX – Disposições Gerais
Reúne regras transitórias e variadas que servem para regular situações específicas e garantir a transição entre o antigo sistema legal e o novo.
A história da Constituição de 1988 representa a vitória da democracia sobre o arbítrio. Estudar esse tema é fundamental para entender o Brasil de hoje e garantir sua aprovação.
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Perguntas Frequentes (FAQ)
1. O que é a Constituição Cidadã?
A Constituição de 1988 ganhou o apelido de Constituição Cidadã por ter sido elaborada com ampla participação popular e por focar intensamente na garantia de direitos fundamentais, sociais e humanos, buscando corrigir as injustiças e a falta de liberdade vividas durante a ditadura militar.
2. Qual a principal diferença entre a Constituição de 1967 e a de 1988?
A principal diferença está no caráter democrático. A Constituição de 1967 foi outorgada (imposta) pelo regime militar, concentrando poder no Executivo e restringindo liberdades individuais. Já a de 1988 foi promulgada por uma Assembleia Constituinte eleita, restabelecendo o voto direto, a liberdade de expressão e a independência dos três poderes.
3. Quais são os principais direitos garantidos pela Constituição de 1988?
Entre os principais direitos estão a igualdade de todos perante a lei, a liberdade de pensamento e crença, o acesso universal à saúde (SUS) e à educação, a proteção ao meio ambiente, direitos trabalhistas (como seguro-desemprego e 13º salário) e a criminalização do racismo e da tortura.
4. O que foi a Assembleia Nacional Constituinte de 1987?
Foi o órgão formado por 559 deputados e senadores eleitos pelo povo com a missão específica de elaborar e aprovar a nova Constituição. Os trabalhos duraram 20 meses, contaram com grande pressão de movimentos sociais e resultaram na promulgação da atual Carta Magna em 5 de outubro de 1988.



