Em setembro de 1973, Augusto Pinochet empreendeu um golpe contra o então presidente do Chile, Salvador Allende, e impôs uma ditadura. O governo autoritário de Pinochet perdurou até 1990, tendo levado mais de três mil pessoas à morte e resultado na tortura de mais de 40 mil.
O ditador precisou enfrentar diversas acusações, em tribunal, pelos crimes cometidos durante o período da ditadura. Contudo, seu julgamento foi adiado em decorrência de problemas de saúde. Continue lendo para conhecer mais sobre a sua história.
Biografia de Augusto Pinochet
Augusto José Ramón Pinochet Ugarte nasceu no dia 25 de novembro de 1915, em Valparaíso, Chile. Seus pais eram Augusto Pinochet Vera e Avelina Ugarte Martínez.
Aos 17 anos de idade, Augusto Pinochet ingressou na Academia Militar de Santiago. Quando concluiu seus estudos, Pinochet assumiu o posto de segundo-tenente, sendo alocado no regimento da cidade de Concepción.
Pinochet se casou, em 1943, com Lucía Hiriart Rodríguez. O casal teve os seus cinco filhos. Dedicou-se exclusivamente à carreira militar após o casamento e obteve êxito em sua carreira. Foi nomeado para diversas funções relevantes no exército chileno.
No último ano do governo do socialista Salvador Allende, em 1973, Pinochet foi nomeado comandante em chefe do exército do Chile. Enquanto estava nessa função, ele aderiu ao golpe que derrubou o governo de Allende.
O golpe contra Salvador Allende
O governo do socialista Salvador Allende tinha grandes desafios a resolver, especialmente devido às greves dos trabalhadores que paralisaram o Chile. Nesse contexto, o exército chileno passou a conspirar contra o então presidente. Pinochet foi um dos últimos militares a aderir ao golpe.
A ação de diferentes forças militares do Chile foi coordenada por Augusto Pinochet, que se valeu de sua posição de comandante em chefe. No dia 11 de setembro de 1973, o palácio presidencial La Moneda foi bombardeado, durante três horas, pelo exército.
O presidente Salvador Allende cometeu suicídio devido aos ataques. Por um longo tempo, houve especulações de que Allende teria sido assassinado. Porém, exumações realizadas há alguns anos comprovaram o suicídio.
O apoio dos Estados Unidos
Os Estados Unidos apoiaram o golpe de Augusto Pinochet, assim como apoiaram o estabelecimento de outras ditaduras militares conservadoras na América Latina. Essa estratégia visava neutralizar o crescimento de partidos e políticos de esquerda, como Salvador Allende.
Além do suporte norte-americano, o regime de Pinochet foi um dos articuladores centrais da Operação Condor. Trata-se de uma aliança clandestina e transnacional entre os serviços de inteligência das ditaduras do Cone Sul (Chile, Argentina, Brasil, Uruguai, Paraguai e Bolívia) para rastrear, sequestrar e assassinar opositores políticos além de suas próprias fronteiras.
O golpe liderado por Augusto Pinochet estabeleceu uma ditadura militar que se estendeu por quase 17 anos. A ditadura do Chile foi uma das mais violentas da América do Sul nesse período.
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A ditadura de Augusto Pinochet
Confira a seguir alguns dos tópicos mais relevantes da ditadura de Pinochet.
- Uma Junta Militar foi formada logo após o golpe contra Allende.
- Augusto Pinochet foi nomeado chefe do governo.
- Pinochet manteve uma ditadura nos anos em que esteve no poder.
- Milhares de pessoas foram perseguidas por se opor ao governo.
- Pinochet empreendeu forte perseguição à Unidade Popular (união dos partidos de esquerda que apoiavam Salvador Allende).
- Durante a ditadura de Pinochet, 3.065 pessoas morreram ou desapareceram.
- Nesse período, 40.018 pessoas sofreram algum tipo de abuso físico (tortura).
Para blindar os militares de punições, o regime decretou a Lei de Anistia de 1978, que perdoou os crimes políticos cometidos entre 1973 e aquele ano, travando a aplicação da justiça por décadas durante a futura transição democrática.
Para muitos chilenos, não restou escolha a não ser buscar exílio em outros países para não se tornarem vítimas da intensa repressão.
A economia da ditadura de Pinochet
Na economia, Pinochet realizou diversas reformas neoliberais no Chile. Para isso, ele se baseou nos estudos de economistas chilenos que se tornaram conhecidos como “Chicago Boys”.
Alguns historiadores creditam o desenvolvimento econômico chileno, alcançado alguns anos mais tarde, a esse projeto econômico. Contudo, há também críticas à política econômica de Pinochet. A desigualdade social no Chile cresceu consideravelmente e impactou especialmente o poder aquisitivo das classes mais baixas.
Para institucionalizar esse modelo econômico e limitar o papel do Estado na saúde, educação e previdência, o regime aprovou a Constituição de 1980. Essa Carta Magna blindou a estrutura neoliberal do país e tornou-se o legado mais duradouro e polêmico da era Pinochet, sendo alvo de intensos protestos sociais nas décadas seguintes.
O fim da ditadura de Augusto Pinochet
Pinochet realizou um referendo, em 1988, em que a população deveria votar na continuidade ou não do seu governo. Quase 56% da população do Chile votou a favor do fim da ditadura. Em 1989, foram realizadas eleições e Patricio Aylwin foi eleito. Assim se encerrou um período de quase duas décadas de ditadura.
Contudo, mesmo tendo sido deposto da presidência, Pinochet se manteve no cargo de comandante em chefe do exército do Chile até 1998. Por motivos de saúde, ele abdicou do cargo.
Acusações contra Augusto Pinochet
Pinochet precisou enfrentar uma série de acusações de corrupção e crimes contra os direitos humanos nos seus últimos anos de vida. No tocante à corrupção, a acusação era de que o ex-ditador teria mantido contas secretas no exterior com o dinheiro desviado do governo chileno. Ele teria 27 milhões de dólares nessas contas secretas.
Em 1998, Pinochet foi preso, mas o cárcere não durou muito. Sua detenção ocorreu em Londres, após um mandado internacional emitido pelo juiz espanhol Baltasar Garzón.
O episódio gerou o chamado “Efeito Pinochet”, um marco no Direito Internacional que estabeleceu o precedente de que ex-chefes de Estado não possuem imunidade internacional diante de crimes contra a humanidade.
Em 2001, ele entregou à justiça um atestado de debilidade mental e foi liberto. Em seguida, recebeu a acusação de ter enriquecido a partir da produção de cocaína em laboratórios clandestinos do Chile.
Contudo, as investigações sobre essa acusação não prosseguiram. Em 10 de dezembro de 2006, Augusto Pinochet faleceu em decorrência de um ataque cardíaco. Em seu funeral, não foi concedida nenhuma honra do Estado chileno.
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FAQ: Augusto Pinochet
1. Quem foi Augusto Pinochet e como ele assumiu o poder no Chile?
Augusto Pinochet foi um general do exército chileno que governou o Chile como ditador entre 1973 e 1990. Ele assumiu o poder em 11 de setembro de 1973, liderando um golpe de Estado militar que bombardeou o palácio presidencial La Moneda e derrubou o governo do presidente eleito, Salvador Allende. Pouco antes do golpe, Pinochet havia sido nomeado pelo próprio Allende como comandante em chefe do exército.
2. Quantas pessoas foram vítimas da ditadura de Augusto Pinochet?
De acordo com dados oficiais de comissões da verdade no Chile, o regime autoritário de Augusto Pinochet deixou 3.065 mortos ou desaparecidos e mais de 40.018 vítimas de abusos físicos e tortura. Além disso, dezenas de milhares de chilenos foram forçados a se exilar em outros países para escapar da intensa repressão política contra a oposição.
3. O que foi o Milagre Chileno e qual a relação de Pinochet com os Chicago Boys?
O Milagre Chileno foi o termo usado para descrever o crescimento econômico do Chile após as reformas neoliberais adotadas por Pinochet. Essas medidas foram baseadas nos estudos de economistas chilenos formados na Universidade de Chicago, apelidados de Chicago Boys. As políticas incluíram privatizações em massa e abertura de mercado. Embora tenham modernizado a economia, essas reformas foram amplamente criticadas por aumentar severamente a desigualdade social e reduzir o poder aquisitivo das classes mais baixas.
4. Como terminou o governo de Augusto Pinochet?
A ditadura de Pinochet chegou ao fim de forma política e institucional. Em 1988, cumprindo as determinações da própria Constituição de 1980 criada pelo regime, foi realizado um referendo popular. Quase 56% da população chilena votou pelo “Não”, rejeitando a continuidade do ditador no poder. Isso abriu caminho para eleições democráticas em 1989, culminando na posse do presidente eleito Patricio Aylwin em 1990.



