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Diferença entre o Realismo e Naturalismo

Conhecer a diferença entre o Realismo e Naturalismo é um passo importante para quem está se preparando para o Enem e os vestibulares mais concorridos do país. Afinal, esses dois importantes movimentos literários são cobrados frequentemente nas provas de Linguagens.

Ao longo deste artigo, os dois conceitos e os principais pontos divergentes entre eles serão explicados de forma clara e objetiva. Continue a leitura e fortaleça a sua base teórica para as provas.

Realismo e Naturalismo: conheça os conceitos

Os movimentos literários conhecidos como Realismo e Naturalismo nasceram na Europa no século XIX. O objetivo principal dessas duas correntes consistia em negar fortemente as emoções e as idealizações exageradas do Romantismo.

A famosa obra “Madame Bovary”, lançada em 1857 por Gustave Flaubert, é considerada a verdadeira fundadora do Realismo mundial.

Por sua vez, o livro que inaugura o Naturalismo é “Thérèse Raquin”, escrito no mesmo ano pelo autor Émile Zola.

Ambas as narrativas buscavam representar a sociedade de forma muito mais verossímil e fiel à realidade cotidiana. Sendo assim, elas substituíram os heróis românticos impecáveis por pessoas comuns, repletas de falhas e de problemas reais.

Realismo e Naturalismo: o contexto histórico

O Realismo e o Naturalismo surgiram nos anos 1800, caracterizando um momento de profunda turbulência e de imensa transformação social no mundo.

No fim do século anterior, a Revolução Francesa havia ocorrido, o que levou a uma drástica mudança da lógica de poder político. Como resultado, a sociedade burguesa estabeleceu um enorme destaque econômico.

Essa rearticulação social significou a redução veloz das tradições monárquicas e a diminuição da influência da Igreja Católica sobre as decisões do Estado. Nesse período, uma forte visão científica foi consolidada para explicar a humanidade. 

Consequentemente, teorias rigorosas como o Positivismo e o Evolucionismo de Charles Darwin ganharam força total. Em suma, a literatura passou a buscar a verdade nua e crua por trás das relações humanas e sociais.

Realismo e Naturalismo: conheça as diferenças

Inicialmente, as duas escolas literárias podem parecer quase iguais para os estudantes durante a leitura das obras. No entanto, podemos resumir as diferenças em pontos muito relevantes para o seu simulado.

Observando as peculiaridades de ambos os estilos, percebe-se que os dois movimentos têm linguagem semelhante, mas com focos analíticos completamente distintos.

O Realismo foca na crítica moral e na análise psicológica minuciosa da sociedade burguesa. A intenção é mostrar os conflitos internos dos personagens de dentro para fora. Já o Naturalismo visa descrever os seres humanos de maneira puramente biológica e experimental, avaliando as pessoas de fora para dentro.

Características do Realismo

Para facilitar a sua memorização para a prova, listamos os principais traços que marcam essa escola literária:

  • A linguagem se apresenta de forma direta, descritiva e bastante objetiva.
  • O ritmo da narrativa flui lentamente, focando fortemente na ambientação e na construção do cenário social.
  • Os autores constroem personagens comuns do cotidiano, mas dotados de uma elaboração psicológica muito profunda.
  • A crítica severa à sociedade burguesa e às instituições sociais atua como o motor central das histórias.

Características do Naturalismo

Em contrapartida, o estilo naturalista aprofunda a visão científica e observadora através dos seguintes elementos textuais:

  • A linguagem permanece detalhista, simples, impessoal e frequentemente repleta de regionalismos.
  • O foco narrativo destaca intensamente as características animais, patológicas e sexuais do ser humano (zoomorfização).
  • O determinismo social e biológico rege a vida humana. Ou seja, a ciência entende o homem como um fruto direto do meio ambiente e da evolução genética.
  • As obras demonstram um grande engajamento social para denunciar abertamente a miséria e a degradação humana nas classes mais baixas.

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Realismo no Brasil

A literatura europeia influenciou rapidamente as produções dos autores brasileiros daquela época. No Brasil, o principal nome do Realismo foi Machado de Assis.

Porém, é muito importante esclarecer que as obras desse autor genial são entendidas como únicas dentro do movimento. Elas apresentam características bem específicas, como o forte tom pessimista e a ironia extremamente refinada.

As principais obras de Machado de Assis incluem “Memórias Póstumas de Brás Cubas” (1881), “Dom Casmurro” (1899), “Esaú e Jacó” (1904) e “Memorial de Aires” (1908). Além disso, o livro “O Ateneu” (1888), de Raul Pompéia, é bastante citado nos maiores vestibulares do país.

Naturalismo no Brasil

Em relação ao Naturalismo no Brasil, a visão determinista e científica encontrou um terreno muito fértil para denunciar a grande desigualdade social do país. A publicação do livro “O Mulato”, no ano de 1881, de Aluísio Azevedo, marca o início oficial do movimento naturalista brasileiro.

Posteriormente, esse mesmo autor publicou a sua grande obra de sucesso histórico, chamada “O Cortiço”, no ano de 1890. Essa narrativa descreve perfeitamente o comportamento coletivo e instintivo dos moradores de uma habitação popular. O livro “A Normalista” (1893), escrito por Adolfo Ferreira Caminha, também representa essa estética perfeitamente.

Realismo e Naturalismo em Portugal

Portugal adotou os dois estilos literários de forma relativamente rápida, tornando-se uma enorme influência de escrita para os romancistas brasileiros da época. Um autor português que aparece frequentemente em questões interpretativas de vestibulares é Eça de Queiroz.

A crítica literária contemporânea considera esse escritor como um dos maiores e principais nomes do Realismo mundial. Dentre as suas obras mais aclamadas e mais cobradas nas provas da Fuvest e da Unicamp, destacam-se “O Crime do Padre Amaro” (1875), “O Primo Basílio” (1878) e o seu famoso romance “Os Maias” (1888).

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Perguntas Frequentes (FAQ)

1. Qual é a principal diferença entre o Realismo e o Naturalismo?

A principal diferença reside na abordagem narrativa das obras. O Realismo foca na crítica moral e na exploração profunda dos aspectos psicológicos internos da classe burguesa. Por outro lado, o Naturalismo foca na classe trabalhadora marginalizada, aplicando teorias científicas e o determinismo biológico para explicar o comportamento humano de fora para dentro.

2. O que significa o conceito de determinismo no Naturalismo?

O determinismo atua como uma forte teoria científica que defende que o ser humano é totalmente moldado pelo meio ambiente em que vive, pela sua hereditariedade biológica e pelo momento histórico em que nasceu. Dessa forma, as escolhas do personagem não decorrem do livre arbítrio verdadeiro, mas sim de fatores naturais e incontroláveis.

3. Quais são as principais obras realistas e naturalistas no Brasil?

No Realismo brasileiro, a obra fundadora e mais importante é “Memórias Póstumas de Brás Cubas”, escrita por Machado de Assis. Dentro do movimento do Naturalismo, o grande marco literário inicial é o livro “O Mulato”, contudo, a obra de maior destaque nas provas é “O Cortiço“, ambas escritas pelo autor Aluísio Azevedo.

4. O que o Realismo e o Naturalismo possuem em comum?

Ambos os movimentos literários nasceram na Europa no século XIX para fazer uma dura oposição às idealizações sentimentais do Romantismo. Além disso, as duas estéticas literárias buscam resgatar o puro objetivismo e a veracidade, substituindo os heróis perfeitos do passado por pessoas comuns, repletas de falhas de caráter e problemas reais do cotidiano.



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