A República Velha (ou Primeira República) foi o período da história do Brasil compreendido entre a Proclamação da República, em 15 de novembro de 1889, e a Revolução de 1930, que levou Getúlio Vargas ao poder. O período foi marcado pelo domínio das oligarquias cafeeiras, fraude eleitoral, surto industrial inicial e intensas revoltas sociais.
Contexto histórico e fases da República Velha
A Primeira República é dividida pela historiografia em dois grandes momentos:
- República da Espada (1889–1894): governo provisório e constitucional dos marechais Deodoro da Fonseca e Floriano Peixoto. Fase marcada pelo autoritarismo, consolidação do regime republicano e pela crise econômica do Encilhamento.
- República Oligárquica (1894–1930): período de hegemonia dos grandes proprietários rurais (com destaque para paulistas e mineiros), iniciado com a eleição do primeiro presidente civil, Prudente de Morais.
Presidentes da Primeira República (1889–1930)
A República Velha teve, ao todo, treze presidentes. Ao longo desse tempo, dois não puderam assumir o cargo por questões políticas ou de saúde.
| Presidente | Período de Governo | Destaque do Mandato |
| Deodoro da Fonseca | 1889–1891 | Constituição de 1891 e Crise do Encilhamento |
| Floriano Peixoto | 1891–1894 | Consolidação da República e combate a revoltas |
| Prudente de Morais | 1894–1898 | Início da era civil; Guerra de Canudos |
| Campos Sales | 1898–1902 | Criação da Política dos Governadores e Funding Loan |
| Rodrigues Alves | 1902–1906 | Sanitarismo no RJ e Revolta da Vacina |
| Afonso Pena | 1906–1909 | Início do Convênio de Taubaté (valorização do café) |
| Nilo Peçanha | 1909–1910 | Criação do SPI (Serviço de Proteção aos Índios) |
| Hermes da Fonseca | 1910–1914 | Política das Salvações e Revolta da Chibata |
| Venceslau Brás | 1914–1918 | Participação do Brasil na 1ª Guerra Mundial |
| Delfim Moreira | 1918–1919 | Governo provisório devido à morte de Rodrigues Alves |
| Epitácio Pessoa | 1919–1922 | Centenário da Independência e Semana de Arte Moderna |
| Artur Bernardes | 1922–1926 | Estado de sítio permanente e Tenentismo |
| Washington Luís | 1926–1930 | Fim da aliança SP-MG; deposto pela Revolução de 1930 |
Rodrigues Alves foi reeleito em 1918, mas faleceu de gripe espanhola antes da posse. Júlio Prestes foi eleito em 1930, mas não assumiu devido à Revolução de 1930.
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Como funcionava a política na República Velha?
O sistema político oligárquico apoiava-se em três pilares fundamentais:
- Mandonismo: controle social e político exercido por grandes latifundiários sobre a população local através da posse da terra.
- Coronelismo: prática em que o coronel manipulava a população local para garantir votos em candidatos da oligarquia. Usava-se o voto de cabresto (voto aberto, intimidação) e fraudes como a inclusão de eleitores falecidos nas urnas.
- Clientelismo: troca contínua de favores entre os chefes políticos e a população (ex: concessão de cargos, remédios ou obras em troca de apoio eleitoral).
Mecanismos de controle de poder
Política dos Governadores: criada por Campos Sales, funcionava como uma troca de favores entre o governo federal e as oligarquias estaduais. O presidente apoiava o grupo dominante no estado em troca da eleição de deputados fiéis ao poder central.
Política do Café com Leite: alternância informal no poder executivo federal entre as oligarquias de São Paulo (maior produtor de café) e Minas Gerais (maior produtor de leite e detentor do maior colégio eleitoral).
Comissão Verificadora de Poderes: órgão responsável pela validação dos diplomas dos deputados eleitos, utilizado para impedir que opositores assumissem seus mandatos (prática conhecida como degola).
Economia e sociedade: café, indústria e imigração
- Economia Cafeeira: o café permaneceu como o motor econômico do país. Em 1906, foi assinado o Convênio de Taubaté, em que o Estado passava a comprar os estoques excedentes do grão para manter os preços elevados no exterior.
- Industrialização e Urbanização: impulsionadas pelos capitais do café, surgiram as primeiras indústrias concentradas em São Paulo e no Rio de Janeiro.
- Surgimento do Movimento Operário: o crescimento fabril trouxe a mão de obra imigrante europeia, influenciada por ideais anarquistas e socialistas, culminando na Greve Geral de 1917.
Principais Revoltas da República Velha
O desrespeito aos direitos sociais foi bastante acentuado durante a República Velha. A profunda desigualdade social contribuiu para diversas revoltas acontecerem nesse período.
Revoltas rurais – Foco em questões territoriais e messianismo
- Guerra de Canudos (1896–1897): conflito no sertão baiano liderado por Antônio Conselheiro contra a miséria extrema e a violência das oligarquias.
- Guerra do Contestado (1912–1916): disputa territorial entre Paraná e Santa Catarina agravada pela expulsão de camponeses para a construção de uma ferrovia, liderada pelo monge José Maria.
Revoltas urbanas e sociais
- Segunda Revolta da Armada (1893–1894): revolta da Marinha contra os governos autoritários de Deodoro e Floriano.
- Revolta da Vacina (1904): levante popular no Rio de Janeiro motivado pela vacinação obrigatória contra a varíola e reformas urbanas autoritárias (reforma Pereira Passos).
- Revolta da Chibata (1910): motim de marinheiros negros e pardos, liderados por João Cândido, contra os castigos corporais e péssimas condições na Marinha.
Crise dos anos 1920 e tenentismo
- Revolta do Forte de Copacabana (1922): primeira manifestação do movimento tenentista contra as oligarquias.
- Revolta Paulista de 1924: levante militar contra o governo de Artur Bernardes.
- Coluna Prestes (1925–1927): marcha militar liderada por Luís Carlos Prestes que percorreu o interior do Brasil pregando reformas políticas e sociais.
A Crise e a Revolução de 1930
A decadência da República Velha ocorreu pela combinação de dois fatores vitais:
- Crise Econômica de 1929: o colapso da Bolsa de Nova York destruiu o mercado comprador de café brasileiro, enfraquecendo a elite paulista.
- Ruptura Política: o presidente Washington Luís (SP) rompeu a Política do Café com Leite ao apoiar o paulista Júlio Prestes, preterindo a indicação de um mineiro.
Minas Gerais aliou-se ao Rio Grande do Sul e à Paraíba, formando a Aliança Liberal e lançando Getúlio Vargas à presidência. Apesar da vitória de Júlio Prestes nas urnas, o assassinato de João Pessoa (vice de Vargas) serviu de estopim para a Revolução de 1930, depondo Washington Luís e encerrando o período oligárquico.
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FAQ – Perguntas Frequentes sobre a República Velha
O que foi o Voto de Cabresto?
Foi uma prática eleitoral do coronelismo em que os eleitores eram coagidos a votar nos candidatos indicados pelos coronéis locais, devido ao voto ser aberto e não secreto.
Por que a Primeira República é chamada de República Velha?
O termo foi cunhado pelos ideólogos da Revolução de 1930 para desqualificar a fase anterior, associando-a ao atraso, corrupção e desrespeito aos direitos sociais.
Qual foi a importância do Convênio de Taubaté?
Foi o primeiro grande acordo de intervenção estatal na economia cafeeira, garantindo o lucro dos cafeicultores mesmo durante períodos de superprodução.
Qual é a diferença entre a República da Espada e a República Oligárquica?
A principal diferença está nos grupos que ocuparam o poder. A República da Espada (1889–1894) foi comandada pelos marechais Deodoro da Fonseca e Floriano Peixoto, com foco na consolidação militar do regime republicano e no combate a revoltas. Já a República Oligárquica (1894–1930) foi dominada por civis ligados aos cafeicultores, caracterizada pela Política dos Governadores e pela Política do Café com Leite.



