O simbolismo é um movimento artístico desenvolvido no final do século XIX e que se caracteriza pelo espiritualismo, subjetivismo, misticismo e religiosidade. Continue lendo para saber mais sobre o movimento e seus representantes.
O que é simbolismo?
Surgido no final do século XIX, o simbolismo é um movimento artístico que tem como características mais marcantes:
- Subjetivismo;
- Religiosidade;
- Espiritualismo;
- Misticismo.
Nesse período, o capitalismo e a industrialização se consolidavam no cenário mundial. Inúmeras descobertas científicas ocorreram trazendo uma ideia de evolução da civilização. Porém, isso levou ao surgimento de problemas sociais como o aumento da desigualdade social. Os artistas passaram então a negar a ideia de progresso.
Proximidade do Romantismo e afastamento de outros movimentos
O simbolismo foi uma corrente artística representada na literatura e na pintura. Esteve próximo dos ideais românticos como idealismo, subjetivismo e individualismo. Esse movimento rejeitou ideias de outros movimentos anteriores como o realismo, naturalismo e parnasianismo.
O movimento simbolista se afastou do uso do rigor estético e do equilíbrio formal do parnasianismo. Distanciou-se do materialismo extremo e da razão. Focou em temas mais espirituais fazendo uma representação diferente da realidade, com maior idealização.
Contexto histórico do simbolismo
O simbolismo teve início na França, nas últimas décadas do século XIX. Nesse período, houve a ascensão da burguesia industrial. A Segunda Revolução Industrial fortaleceu o capitalismo. Muitos países se industrializaram.
Em 1870, aconteceu a unificação da Alemanha e em 1871 a Itália foi unificada. Esses fatos impulsionaram o processo industrial. No entanto, esse progresso do capitalismo levou a uma grande desigualdade social e a insatisfação dos mais pobres.
Foi um período de grandes inovações científicas que geraram a ideia de progresso. As maiores potências econômicas da época – como a Alemanha, Rússia e Inglaterra – passaram a disputar mercados, matérias-primas e consumidores.
O processo de neocolonialismo levou à fragmentação da África e da Ásia. A combinação desses fatores levou à Primeira Guerra Mundial (1914-1918). O simbolismo nasceu como uma forma de desafiar esse cenário.
Características do simbolismo
Confira a seguir algumas das principais características do movimento simbolista.
- Oposição à realidade objetiva – os artistas abordam temas subjetivos como loucura, dor, morte e pessimismo.
- Transcendência, espiritualidade e misticismo – há o desejo de transcender a realidade através do misticismo e desbravar as zonas mais profundas da alma.
- Religiosidade – apesar de adotar temas sombrios e misteriosos, no simbolismo também há obras que partem da visão cristã associada à fuga da realidade.
- Individualismo – a valorização do “eu”, a verdade é encontrada através da consciência humana.
- Linguagem vaga e imprecisa – a linguagem é bastante particular com muito mistério, musicalidade e expressividade.
- Amplo uso de figuras de linguagem – as figuras mais usadas são as metáforas, comparações, assonâncias, aliterações, sinestesias e onomatopeias.
- Preferência pelos sonetos – o movimento se manifestou na prosa, mas foi na poesia que se tornou reconhecido.
- Aproximação do Romantismo – há a retomada dos elementos românticos objetivando alcançar além do aspecto palpável das coisas.
- Valorização da simbologia – a arte simbolista faz oposição ao cientificismo, questiona a validade da ciência para explicar os fenômenos naturais.
- Oposição ao mecanismo – o simbolismo se aproxima do universo do sonho.
O simbolismo no Brasil
O marco inicial do simbolismo no Brasil foi a publicação das obras “Missal” (prosa) e “Broquéis” (poesia) de Cruz e Souza, em 1893. O movimento simbolista perdura até 1910 quando tem início o Pré-Modernismo.
Esse foi um momento histórico de grande agitação política no Brasil, pois era um período de transição devido à Proclamação da República, em 1889. O regime monárquico estava sendo deixado para trás para a consolidação do regime republicano.
Em 1889, foi instaurada a chamada República da Espada que levou à eclosão de alguns conflitos políticos e por disputa de poder. O final do século retrasado foi marcado por conflitos como:
- A Revolução Federalista (1893-1895) que aconteceu nos estados do Sul;
- A Revolta da Armada (1891-1894), no Rio de Janeiro.
Havia muita insegurança e insatisfação nesse período.
Principais poetas simbolistas brasileiros e suas obras
Os nomes de maior destaque do movimento simbolista brasileiro são:
- João da Cruz e Sousa;
- Alphonsus de Guimaraens;
- Pedro Kilkerry.
João da Cruz e Sousa (1861-1898)
Cruz e Sousa foi o precursor do movimento no Brasil e o mais importante poeta do simbolismo. Nascido em Florianópolis, Santa Catarina, o poeta era filho de escravos. Contudo, teve uma vida confortável vivendo com uma família aristocrata que o ajudou com seus estudos.
Escreveu vários textos poéticos, contudo, publicou somente duas obras em vida:
- “Broquéis” (1893) – conta com 54 poemas sendo 47 sonetos;
- “Missal” (1893) – obra em que há poemas escritos em prosa.
Obras de Cruz e Sousa publicadas postumamente:
- “Evocações” (1898);
- “Faróis” (1900);
- “Últimos Sonetos” (1905).
O poeta foi vítima de preconceito racial e durante toda a vida lutou a favor da causa negra. Em sua obra há temas como:
- Dor;
- Obsessão pela cor branca;
- Morte;
- Pessimismo.
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