As vozes verbais permitem identificar se o sujeito gramatical é o agente ou o paciente da ação verbal. Basicamente, nos ajudam a entender se o indivíduo está praticando ou sofrendo a ação. Continue lendo para saber mais sobre a flexão em voz dos verbos.
O que são vozes verbais?
Os verbos possuem flexão em voz. As chamadas vozes verbais nos ajudam a identificar se um indivíduo pratica a ação (agente) ou sofre a ação (paciente). Há três vozes verbais no português:
- Ativa. Exemplo: “Eu vi a menina no cinema”.
- Passiva. Exemplo: “A menina foi vista por mim”.
- Reflexiva. Exemplo: “Eu vi-me no espelho”.
Voz ativa
Essa voz verbal é usada quando o sujeito gramatical é quem pratica a ação verbal. Dessa forma, indica que o sujeito gramatical é o agente da ação. Observe o exemplo:
- Minha tia criou minha irmã.
Identificamos que o sujeito (minha tia) realizou a ação que está indicada pelo verbo (criou minha irmã).
Exemplos de frases na voz ativa:
- Eu pintei o quadro.
- Meu primo comprou a casa.
- Os alunos pintaram os desenhos.
- O gato caçou o passarinho.
- O auxiliar concluirá a tarefa.
Voz passiva
Essa voz é usada quando o sujeito gramatical sofre a ação do verbo. O sujeito gramatical é então o paciente de uma ação praticada pelo agente da voz passiva. Observe a frase do exemplo acima escrita na voz passiva:
- Minha irmã foi criada pela minha tia.
Nesse exemplo, o sujeito (minha irmã) não está realizando a ação do verbo, ele sofre a ação (foi criada). Então a ação verbal é praticada pelo agente da voz passiva (minha tia). De acordo com o processo de formação, a voz passiva pode ser classificada como:
- Voz passiva analítica;
- Voz passiva sintética.
Voz passiva analítica
A estrutura das frases na voz passiva analítica é a seguinte:
sujeito paciente + verbo auxiliar + particípio + preposição + agente da passiva
Confira exemplos de frases na voz passiva analítica:
- O quadro foi pintado por mim.
- A casa foi comprada pelo meu primo.
- Os desenhos foram pintados pelos alunos.
- O passarinho foi caçado pelo gato.
- A tarefa será concluída pelo auxiliar.
Voz passiva sintética
Nesse tipo de frase a estrutura é a seguinte:
verbo transitivo + pronome se + sujeito paciente
Confira exemplos de frases na voz passiva sintética:
- Pintou-se o quadro.
- Comprou-se a casa.
- Pintaram-se os desenhos.
- Caçou-se o passarinho.
- Concluir-se-á a tarefa.
Voz reflexiva
Essa voz é usada quando o sujeito gramatical pratica e sofre a ação verbal. Então, indica o sujeito gramatical que ao mesmo tempo é o agente e o paciente da ação. Tem obrigatoriamente um pronome oblíquo reflexivo (me, te, se, nos, vos, se).
Um exemplo de frase na voz reflexiva: “Minha irmã criou-se sozinha”. Identificamos que o sujeito (minha irmã) realiza a ação que o verbo indica, porém, também sofre a ação (criou-se = a si mesma).
Exemplos de frases na voz reflexiva:
- Ele se feriu com o abridor de cartas.
- Alimento-me sempre da melhor forma possível.
- Você já se vestiu?
Essa voz é considerada recíproca quando ambos os sujeitos, que praticam e sofrem a ação, estão presentes. Confira os exemplos abaixo:
- Eles olharam-se longamente.
- Os amigos abraçaram-se de forma calorosa.
Passagem da voz ativa para a voz passiva
Algumas mudanças devem ser feitas quando se está fazendo a passagem da voz ativa para a voz passiva. Essas alterações são diferentes daquelas feitas na voz passiva analítica e na voz passiva sintética. Confira alguns exemplos:
Conversão da voz ativa na voz passiva analítica:
- O sujeito é transformado em agente da passiva.
- O objeto direto é transformado no sujeito da passiva.
- O verbo transitivo é transformado em locução verbal.
Voz ativa: “O chefe alterou o horário de chegada à empresa”.
Mudanças a serem feitas:
- O sujeito (o diretor) se torna agente da passiva (pelo diretor).
- O verbo transitivo (alterou) se torna locução verbal (foi alterado).
- O objeto direto (o horário de chegada à empresa) passa para sujeito da passiva, iniciando a frase.
Voz passiva analítica: “O horário de chegada à empresa foi alterado pelo chefe”.
Conversão da voz ativa na voz passiva sintética:
- O objeto direto passa a ser sujeito da passiva.
- O sujeito se converte em partícula apassivadora “se”.
- Não existe agente da passiva e o verbo transitivo permanece.
Voz ativa: O chefe alterou o horário de chegada à empresa.
Nesse caso o sujeito (o chefe) passa para a partícula apassivadora (se). Não se tem agente da passiva, o verbo permanece transitivo. O objeto direto (o horário de chegada à empresa) passa a iniciar a frase.
Voz passiva sintética: Alterou-se o horário de chegada à empresa.
Exemplo de conversão da voz ativa na voz passiva analítica e sintética
Voz ativa: Claudia rasgou o bilhete.
Voz passiva analítica: O bilhete foi rasgado por Claudia.
Voz passiva sintética: Rasgou-se o bilhete.
Voz ativa: Eu faço atletismo.
Voz passiva analítica: Atletismo é feito por mim.
Voz passiva sintética: Faz-se atletismo.
Voz ativa: O funcionário apresentaria o produto à direção.
Voz passiva analítica: O produto seria apresentado à direção pelo funcionário.
Voz passiva sintética: Apresentar-se-ia o produto à direção.
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